O Impacto do covid nas competições desportivas

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A suspensão de todas as competições desportivas em Portugal, em uníssono, mostrou que o desporto nacional se preocupa com o bem-estar de saúde dos seus atletas e da população em geral. Todas as Federações desportivas, sem exceção, optaram por suspender de imediato todas as suas competições desportivas numa demonstração de uma enorme responsabilidade social. Foi exemplo para toda a sociedade no sentido de alertar para os perigos desta pandemia, assim como para alertar para as medidas de proteção individual e responsabilização social que cada um tinha para consigo e para com os outros. Não é por acaso que a força de um país se mede também pelos êxitos desportivos, aqui também mais uma vez fomos exímios.

O futebol, desporto rei do nosso país está também ele a passar por dificuldades. Os clubes de futebol vivem acima das suas possibilidades, vivem como que numa espécie de bolha, se algo falha têm graves problemas, não têm um modelo de gestão desportiva sustentado. Os modelos de gestão dos clubes de futebol assentam principalmente nas receitas dos direitos televisivos que representam cerca de 80% do orçamento total, deixando de contar com essas receitas ficam em muito maus lençóis. Muitos foram os clubes que tomaram logo medidas no sentido das reduções salariais dos jogadores que em alguns atingem os 70%, isto com apenas duas semanas de paragem. As receitas de bilheteira deixaram de existir, os contratos com patrocinadores foram suspensos pois estes deixaram de comunicar as suas marcas e os seus benefícios terminaram. Alguns clubes já anunciaram que entrarão em Lay off. No entanto a liga de clubes vai apoiar financeiramente os clubes da Primeira e Segunda liga, a Liga de Portugal disponibiliza uma linha de apoio à tesouraria no limite máximo de 20 mil euros por SAD, de disponibilização imediata para um conjunto de despesas elegíveis, relacionadas com a resposta dos clubes à pandemia

O golf uma modalidade cada vez mais praticada no nosso país, com um impacto na economia nacional de cerca de 100 milhões de euros, viu a sua época alta completamente suspensa, até maio estima-se que cerca de 60% das suas receitas caia. Nesta modalidade que emprega cerca de 16000 pessoas e vive em grande parte através do turismo, vê-se na possibilidade de encerrar alguns clubes. Além das competições, viram-se obrigados a encerrar os seus campos e com a responsabilidade de manter a sua manutenção mínima, para que estes não se degradem completamente. A federação de golf já pede que se enquadrem os clubes nas medidas de apoio ao setor do turismo, pretendem também retomar logo as suas atividades mal haja um alívio nas medidas de contenção, para evitar um mal maior em termos financeiros, no entanto na retoma terão de ter em conta as limitações qual a forma, quais a medidas a implementar para proteger a saúde dos jogadores.

A Fórmula 1 suspendeu de imediato também os seus grandes prémios, nomeadamente o GP Austrália, Bahrain e Vietname, o Grande Prémio da China foi já há muito adiado, assim como as três primeiras provas europeias, o mítico Grande Prémio do Mónaco foi mesmo cancelado, coisa que já não se via desde 1954. A temporada de 2020 tinha prevista no seu calendário 22 provas, com a pandemia e os necessários ajustes ao seu calendário deverá contar entre 15 a 18 corridas e o seu início nunca antes de 14 de Junho de 2020. No entanto de acordo com o promotor de formula 1 diretor norte-americano Chase Carey, a última corrida da temporada deverá acontecer em finais de novembro em Abu Dhabi, contudo considera a extensão do calendário além das datas previamente definidas.

Nas federações desportivas, associações e clubes não profissionais, as questões financeiras não se colocam da mesma maneira e certamente terão um impacto menor daqueles que são profissionais, onde vigoram contratos profissionais, contratos televisivos e salários de jogadores. Uma medida extremamente importante seria a redução de IVA aplicado a estas organizações, visto que por norma são sem fins lucrativos e o utilizador não paga IVA.

Além das competições desportivas os treinos, nos seus locais habituais, também foram suspensos, houve a necessidade de redirecionar as estratégias de treino, os planos de treino, para minimizar as perdas em termos físicos dos atletas. Maior parte dos atletas, sendo dos desportos coletivos ou dos desportos individuais, passaram a treinar sozinhos a partir de casa e houve, obviamente, a necessidade dos treinadores planearem o treino de forma individual. Neste planeamento encontram certamente dificuldades ao nível do material utilizado, a limitação de espaço, pois a maior parte senão toda treina agora dentro de casa. As principais preocupações passam pela exploração do sistema energético predominante na modalidade, assim como a manutenção da força muscular, resistência muscular, cardiovascular e a técnica. Vários métodos e estratégias estão a ser utilizados tomando em consideração a modalidade praticada, o material disponível e o espaço. Há necessidades de diferentes treinos e de cada treinador definir o melhor para cada um dos atletas, seja no futebol onde procurarão certamente potenciar, pelos mais diversos exercícios, a técnica específica do futebol e a posição ocupada, assim como noutras modalidades que os objetivos são completamente diferentes. A monitorização individual é de extrema importância para verificar a evolução de cada atleta.

Os atletas vivem na incerteza do seu regresso ou não às competições desportivas, os treinadores têm de planear esta fase de paragem como que de um período transitório se tratasse, para desta forma assegurar o regresso dos mesmos nas melhores condições físicas possíveis. O diagnostico e a prevenção de lesões é um dos aspetos a ter em conta aquando do regresso destes às rotinas quotidianas de treino. As questões psicológicas dos atletas são tão ou mais importantes em relação às físicas, como estão a ser tratadas? Não temos psicólogos desportivos em todo o seio desportivo, só os clubes e Federações com maior poder económico têm este profissional no seio das suas equipas. Mas, no entanto, os atletas estão longe das sensações que a competição provoca, nos desportos coletivos a socialização habitual deixou de existir, a única certeza que dispõe é a incerteza do retorno, como? quando? onde? com quem?… Antes da retoma das competições desportivas é necessário que os atletas retomem as suas rotinas de treino, necessitam de voltar a adaptarem-se ao local de treino, ao ritmo de treino, no caso dos desportos coletivos à interação com os seu colegas de treino. Há já a eventualidade de algumas competições desportivas terminarem sem que os respetivos campeonatos contem, ao retomarem as competições desportivas quais as suas limitações? À porta fechada, sem expectadores? Todos os atletas terão de ser testados antes de competir e até mesmo antes de voltarem às rotinas de treino com as suas equipas? Os treinadores e restante equipa técnica será testada? Quais as medidas de proteção a serem implementadas?

Claro que, mais cedo ou mais tarde, as competições desportivas vão ser retomadas, não sabemos é quando e de que forma, no entanto, ao serem retomadas colocam a calendarização de toda uma época em causa e provavelmente até a época seguinte. Mas no meio de tanta incerteza, organismos internacionais já tomaram medidas que permitem ter algumas certezas. Sabemos desde já é que o Euro 2020 de futebol foi remarcado para o próximo ano. Os Jogos olímpicos já foram adiados para 2021, o que permite aos atletas treinadores e dirigentes trabalharem com certezas, não obstante de criar obstáculos à gestão individual de cada um. Alguns adiaram términos de cursos, frequências de cursos e até mesmo as mais variadas questões familiares, planearam as suas vidas em função do ciclo olímpico que agora terá de ser reajustado. As questões de financiamento das suas carreiras e dos planos olímpicos como serão tratadas?

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